Arquivo da categoria: Arquitetura século XXI

Croissant de Ipanema

Vinheta Croissant

A Associação de Moradores de Ipanema pediu há uns três anos, e o governador do Estado do Rio vai atender, segundo a publicação em um Jornal carioca, o fim de uma cobertura de acesso ao Metrô situada na Praça General Osório, em Ipanema. A construção é chamada pejorativamente de “croissant”, e qualificada de “horrorosa” e “trambolho”, pela coluna de Ancelmo Gois de “O Globo”. Segundo a coluna, a estrutura será substituída por outra “que parece se integrar melhor à paisagem da praça.”

Croissant de Ipanema - Cópia

Entrada do Metrô da Praça General Osório. O “Croissant”.

Nova entrada do metro

Futura entrada do Metrô da Praça General Osório.

O fato é expressivo por diversos aspectos que, juntos, atestam para a indigência de nossa critica arquitetônica e também para mau uso que fazem desta os jornalistas, certamente despreparados para tal função, mas que ocupam um espaço deixado vago por nossos profissionais. Continuar lendo

Venturi se aposenta

Vinheta

Complexidade e Contradição na Vida:

Venturi sai de Cena

Silvio Colin

O mundo da arquitetura ficou menor, menos inteligente, com menos vitalidade desordenada, mais chato, mais logocêntrico, mais previsível,  mais formal. É que Robert Venturi saiu de cena. Retirou-se, juntamente com sua mulher, sócia e parceira há 45 anos, Denise Scott Brown, da direção da firma Venturi, Scott Brown & Associates, Inc., afastando-se das atividades projetuais e dos encargos que um escritório do porte do seu lhe trazia. A firma, aliás, mudou de nome; passou a ser  VSBA,Llc. E será dirigida por Daniel K. McCoubrey e Nancy Rogo Trainer.

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Agro-habitação

  Agro-Habitação e Sustentabilidade

Sobre um artigo publicado em www.archdaily.com.

Edição e comentários Silvio Colin

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 A Agro-Habitação foi o projeto vencedor da versão 2007 do Concurso para Habitação Sustentável promovido pela Living Steel para a China. Parte edifício de habitação, parte estufa, a proposta prevê  para os moradores da cidade a possibilidade de ter uma experiência de agricultor. Uma combinação de amenidades rurais e facilidades urbanas, a proposta é um partido original sobre a dualidade campo-cidade. Não deixa de ser um olhar inovativo sobre a urbanidade sustentável.

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Malapropismo

Malapropismo em Arquitetura

2ª publicação. Ampliada.

Publicado inicialmente em 17/04/2011

Silvio Colin

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O malapropismo, em arquitetura, acontece quando a mensagem veiculada pela forma arquitetônica é inapropriada ou inadequada ao seu conteúdo, sobretudo quando esta causa um efeito jocoso.  O assunto foi extensamente explorado por Charles Jencks, ao criticar a alienação dos arquitetos afiliados ao Estilo Internacional tardio e sua resistência à adoção da linguagem simbólica.

Referindo-se à refinada linguagem de Mies van der Rohe no conjunto do Illinois Institute of Tecnology (IIT), e ao seu extremo purismo, que desconsiderava qualquer alusão simbólica, Jencks chama a atenção que a Casa de Caldeiras, que mais parece a catedral do campus, e a Igreja, que, por sua vez, parece uma casa de caldeiras.

Casa de Caldeiras do IIT. Mies van der Rohe 1947.

Legenda de Jencks: “A tradicional forma da basílica, com a nave central e dois corredores laterais. Existe até um clerestório, em sistema de baias e um campanário, para mostrar que isto é uma catedral” [1]

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Híbrido Conectado

Híbrido Conectado

Linked Hybrid

Pequim, 2003-9. Arquiteto Steven Holl

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A ideia não é nova. Ao contrário, vem com algumas décadas de uma história responsável pelos maiores fracassos do Movimento Moderno, mas vem revigorada. O Híbrido Conectado é uma mega-estrutura, no melhor modelo dos brutalistas dos anos 1960 e 1970. Naquela época falhou e viu seus grandes edifícios, muitos deles premiados pelos associações de arquitetos, como é o caso do Conjunto Pruit-Igoe, em Saint-Louis[1], ou consagrados pela crítica, como é o caso do Robin Hood Gardens, de Alison e Peter Smithson[2], ambos condenados, o primeiro implodido em 1972. Continuar lendo

Arquitetura do Século 21-I

10 MUSEUS DO SÉCULO XXI

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MUSEU DE ARTE DE GRAZ 

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Graz, Austria. 2003. Arquitetos Peter Cook e Colin Fournier

Área bruta 13 000 m2

Trinta anos depois do fechamento da revista Archigram, um de seus editores, Peter Cook, juntamente com Colin Fournier, dão vida a um edifício que em muito lembra as fantasias do antigo grupo. O “simpático alienígena”, como foi apelidado pelos austríacos, a nova estrutura biomórfica entre os telhados tradicionais tenta estabelecer um diálogo produtivo entre tradição e vanguarda. Segundo os arquitetos a proposta é que o edifício seja uma ponte onde passado e futuro se encontram. Qual uma bolha de ar, a pele azulada cintilante do museu flutua acima do seu piso térreo com paredes de vidro. Abrangendo até 60 metros de largura, a construção biomorfica envolve duas salas de exposição, sem grandes suporte adicional.

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Casas de Steven Holl

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Silvio Colin

Steven Holl é dos poucos arquitetos da atualidade que eleva suas obras à categoria de arte, descartando qualquer solução simplista ou espontânea. È uma obra ampla e multifacetada, resistente a qualquer simplificação. Tomamos aqui contato com esta através de algumas casas, o que, se significa muito pouco em relação aos seus edifícios de maior porte, nos mostra uma constante, o sentimento de que estamos sempre diante de algo arrebatador e imprevisível. Sua arquitetura é uma viagem de ida e volta do abstrato para o concreto,  sendo o segundo termo representado pela memória do lugar, pelas condições materiais, pela estrutura, pelo programa, e o primeiro termo pelas idéias que se constituem o ponto de ataque ao projeto, algumas delas completamente alheias ao determinismo funcional, e pela metodologia, resistente a qualquer redução simplista.

Casa da Embaixada da Suiça.Washington D.C., 2001-2006.

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Archigram

Peter Cook, David Greene, Michael Webb,  Ron Herron, Warren Chalk e  Dennis Crompton, jovens arquitetos contando apenas com 30 anos de idade, conheceram-se na firma Taylor Woodrow Construction Co. Deste relacionamento e de uma postura comum diante da realidade nasceu, em 1961, a revista Archigram. A palavra é um neologismo conjugando a expressão Architectural Telegram e bem expressava a idéia do grupo de comunicar mensagens arquitetônicas. Partiam da pop-art, movimento nascente na Inglaterra, na figura de Richard Hamilton que em 1956 havia promovido uma primeira manifestação com a exposição This is Tomorrow juntamente com outros jovens artistas do chamado Independent Group, e do pensamento tecnológico de Buckminster Fuller. Adotando uma imagística da era espacial, associada a idéias já então disponíveis, como a Dymaxion House[i], de Buckminster Fuller, à ironia e bom humor do grupo, ao sentimento de insegurança, próprio da época, submetida à ameaça de um conflito nuclear alimentada pela Guerra Fria, e a perda de qualidade de vida nas grandes metrópoles, devido à poluição, o Grupo Archigram construía as suas fantasias utópicas. Continuar lendo

A corrente de cristal

Vinheta

A Corrente de Cristal, em alemão “Die Glaserne Kette”, foi o nome com que se designou um conjunto de cartas utópicas trocadas entre um seleto grupo de arquitetos, liderado por Bruno Taut  entre 1919 e 1920, enaltecendo as virtudes do vidro, visto como material do futuro. Estes arquitetos, motivados pelo vazio ideológico existente então na Alemanha pós-guerra, buscavam alternativas estéticas e práticas para a arquitetura, rejeitando o materialismo e positivismo que caracterizavam o sistema político derrotado juntamente com o kaiser Guilherme II. Essas cartas descreviam visões de uma sociedade ideal e uma arquitetura fantástica por meio de textos e desenhos.

Cristal sobre uma esfera. Projeto para um edifício religioso. Desenho de Wassili Luckhardt. Imagem PEHNT, p. 37, com intervenção. Continuar lendo

Conjunto Habitacional Carabanchel

Madri, 2007.

Projeto; Foreign Office Architects, FOA  [1]

Imagens www.archdaily.com. Fotos Francisco Andeyro Garcia,Alejandro Garcia Gonzalez, Sergio Padura.


O edifício é feio como a necessidade, mas apresenta  uma das mais engenhosas soluções de proteção solar de que eu tenho conhecimento. Parece que tudo foi sacrificado em função do bem estar dos moradores, e os arquitetos o fizeram conscientemente, como se apreende da leitura do memorial descritivo, apresentado mais abaixo. Continuar lendo