Arquivo da categoria: Teoria da arquitetura

Malapropismo

Malapropismo em Arquitetura

2ª publicação. Ampliada.

Publicado inicialmente em 17/04/2011

Silvio Colin

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O malapropismo, em arquitetura, acontece quando a mensagem veiculada pela forma arquitetônica é inapropriada ou inadequada ao seu conteúdo, sobretudo quando esta causa um efeito jocoso.  O assunto foi extensamente explorado por Charles Jencks, ao criticar a alienação dos arquitetos afiliados ao Estilo Internacional tardio e sua resistência à adoção da linguagem simbólica.

Referindo-se à refinada linguagem de Mies van der Rohe no conjunto do Illinois Institute of Tecnology (IIT), e ao seu extremo purismo, que desconsiderava qualquer alusão simbólica, Jencks chama a atenção que a Casa de Caldeiras, que mais parece a catedral do campus, e a Igreja, que, por sua vez, parece uma casa de caldeiras.

Casa de Caldeiras do IIT. Mies van der Rohe 1947.

Legenda de Jencks: “A tradicional forma da basílica, com a nave central e dois corredores laterais. Existe até um clerestório, em sistema de baias e um campanário, para mostrar que isto é uma catedral” [1]

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Desconstrutivismo

O FAZER DESCONSTRUTIVISTA

Silvio Colin

Trecho de ensaio publicado na revista AU, nº. 181. Abril de 2009. P. 84-9.

Reedição. Publicado neste Blog em 11/06/2010 com o título Para entender o Desconstrutivismo

Museum Guggenheim Bilbao. Imagem http://www.nbnnews.com

O pensamento do arquiteto tem sido formado por algumas estruturas das quais não se liberta a não ser mediante um grande esforço de “leitura atenta”, de trabalho desconstrutivo. E este trabalho se insere no mesmo projeto de desconstrução das tradições da cultura ocidental e partilha os mesmos interesses. O alvo primeiro da Desconstrução é o chamado logocentrismo, i. e. o privilégio dado à lógica e à razão, sobre outras formas de apreensão da realidade e busca da verdade. Interessa-nos no momento esclarecer este  tipo particular de logocentrismo, próprio da arquitetura:  conceitos estruturantes particulares do trabalho dos arquitetos, que cumprem a mesma função dos conceitos estruturantes do pensamento ocidental na literatura e filosofia e que são objetos da desconstrução dos escritores e filósofos pós estruturalistas, não mais nos textos, mas na elaboração de projetos (forma de “escritura” própria do arquiteto). Continuar lendo

Híbrido Conectado

Híbrido Conectado

Linked Hybrid

Pequim, 2003-9. Arquiteto Steven Holl

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A ideia não é nova. Ao contrário, vem com algumas décadas de uma história responsável pelos maiores fracassos do Movimento Moderno, mas vem revigorada. O Híbrido Conectado é uma mega-estrutura, no melhor modelo dos brutalistas dos anos 1960 e 1970. Naquela época falhou e viu seus grandes edifícios, muitos deles premiados pelos associações de arquitetos, como é o caso do Conjunto Pruit-Igoe, em Saint-Louis[1], ou consagrados pela crítica, como é o caso do Robin Hood Gardens, de Alison e Peter Smithson[2], ambos condenados, o primeiro implodido em 1972. Continuar lendo

Arquitetura do Milagre Brasileiro

“Milagre Brasileiro” é o nome aplicado , não sem certa ironia, ao período de expansão econômica acelerada, com taxas de crescimento acima de 10%, durante os governos militares, de 1964 a 1985. Esta expansão era artificial, baseada em empréstimos externos, gerando uma crescente inflação que chegou a níveis insuportáveis no final dos anos 1980. Corresponde a um período de governo autoritário e ufanista, criador de lemas como “Ninguém segura este país” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Este momento da História do Brasil produziu uma arquitetura bem específica, da qual pretendemos falar. Impossível tarefa, entretanto, sem compreendermos primeiro este momento único da cultura mundial e seus reflexos na cultura brasileira, nas artes literatura cinema etc. Mergulhemos então, primeiramente neste contexto. Continuar lendo

A poética do Art-Nouveau na arquitetura

Silvio Colin

Na Alemanha chamou-se Jugendstil. Na Inglaterra chamou-se Liberty Style, devido a uma loja de objetos de arte. Na Itália chamou-se Stile Liberty. O nome Art Noveau advém da Maison de l’Art Nouveau, loja de móveis, tapeçaria e objetos de arte do colecionador e comerciante Samuel Bing. Importantes arquitetos do final do século XIX e início do século XX, como Hector Guimard, Victor Horta, August Endell, Joseph Hoffmann entre outros, aderiram ao estilo e o divulgaram com sua obra.

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Malapropismo em arquitetura

Silvio Colin

Malapropismo, em arquitetura, acontece quando a mensagem veiculada pela forma arquitetônica é inapropriada ou inadequada ao seu conteúdo, sobretudo quando esta causa um efeito jocoso.  O assunto foi extensamente explorado por Charles Jencks, ao criticar a alienação dos arquitetos afiliados ao Estilo Internacional tardio e sua resistência à adoção da linguagem simbólica.

Referindo-se à refinada linguagem de Mies van der Rohe no conjunto do Illinois Institute of Tecnology (IIT), e ao seu extremo purismo, que desconsiderava qualquer alusão simbólica, Jencks chama a atenção que a Casa de Caldeiras mais parece a catedral do campus, e a Igreja, por sua vez parece uma casa de caldeiras. Continuar lendo

Produtivismo

Silvio Colin

O produtivismo é, ao mesmo tempo, um caminho provável para a arquitetura, e, para esta, uma condenação ao lugar comum e a banalidade. Poderíamos mesmo dizer que se trata, no quadro da prática arquitetônica, de uma “a traição da máquina” com relação à atitude zelosa dos arquitetos, desde o movimento moderno. Quis o arquiteto fazer a sua arte para a indústria, e de tal modo o fez direito, que a indústria não precisa mais dele. Testemunhamos a hipertrofia dos grandes sistemas industriais voltados para a construção (pré-fabricados de estruturas, sistemas de esquadrias com grandes painéis de vidro multicoloridos e espelhados, painéis metálicos de grande impacto visual) que atendem com perfeição aos seus objetivos, mas que simplificam e empobrecem a paisagem construída e a atividade do arquiteto.

Sede da Willis Faber Dumas. Ipswich, Inglaterra. 1971-5. Arq. Norman Foster. Segundo Kenneth Frampton, o primeiro edifício produtivista no ambiente arquitetônico recente.

É disso que falamos quando usamos o termo produtivismo em arquitetura. Referimo-nos  a edifícios em que os produtos utilizados na sua confecção têm papel preponderante na própria concepção, na aparência, ou como determinante do estabelecimento das demandas funcionais, volumétricas, espaciais, ou murais. Continuar lendo