Novo Urbanismo

Baseado no verbete http://en.wikipedia.org/wiki/New Urbanism

Tradução e edição de Silvio Colin

O Novo Urbanismo é um movimento voltado para o desenho urbano que defende o projeto de vizinhanças para pedestres com funções mistas de habitação e trabalho. Surgiu nos Estados Unidos no início dos anos 1980 e continua atuante em  muitos projetos de desenho e planejamento urbano.

O Novo Urbanismo é influenciado fortemente por padrões de desenho urbano anteriores à entronização  do automóvel e estabelece princípios como desenho do bairro tradicional (TND) [1] e  desenvolvimento orientado pelo trânsito (TOD).[2][3] É também relacionado de perto a com os conceitos de Regionalismo e Ambientalismo.Market Street. Celebration, Florida. Imagem http://en.wikipedia.org/wiki/New_Urbanism

O Novo Urbanismo organizou-se no Congresso para o Novo Urbanismo, fundado em 1993.  Seu texto fundacional é a Carta do Novo Urbanismo.

Nós defendemos a reestruturação das políticas públicas e práticas desenvolvimentistas que sustentem os seguinte princípios: as vizinhanças devem ser diversificadas em uso e  população; devem ser projetadas para o pedestre como também para o carro; cidades grandes e pequenas  devem ser conformadas por espaços públicos fisicamente definidos e universalmente acessíveis e por instituições de comunidade; os sítios  urbanos devem ser moldados pela arquitetura do edifício e da paisagem,  que celebram a história local, o clima, a ecologia, e a  prática de edifício.

Os Novo Urbanistas apóiam o planejamento regional para áreas livres, a arquitetura contextualizada, e o desenvolvimento equilibrado entre o trabalho e a residência. Eles acreditam que estas estratégias podem reduzir a congestão de tráfico, aumentar a provisão de moradias disponíveis, e  aumentar a oferta de trabalho.. A Carta do Novo Urbanismo também cobre assuntos como preservação histórica, ruas seguras, edifícios verdes, reciclagem e revitalização de edifícios e sítios.

Casas em Seaside, Florida. Imagem http://www.dkolb.org/

Histórico

Até meados do século XX, as cidades eram geralmente organizadas em consideração prioritária ao pedestre. Para a maioria de história humana isto significou uma cidade que era completamente transitável por qualquer cidadão sem impedâncias. Com o desenvolvimento de transporte de massas, o alcance da cidade se estendeu  ao longo de linhas de trânsito,  permitindo o crescimento de comunidades novas como extensão dos antigos subúrbios de bonde e de trem. Mas, com o advento de automóveis baratos e as políticas públicas favoráveis a esta indústria começou-se a focalizar e priorizar as necessidades do carro.[4]

New Town. Longmont, Colorado. Imagem http://www.dkolb.org/

Este novo sistema de desenvolvimento, com sua separação rigorosa de usos, foi conhecido como desenvolvimento suburbano convencional ou pejorativamente como espraiamento urbano [5] , e surgiu depois de Segunda Guerra Mundial. A maioria dos cidadãos norte-americanos vivem agora em comunidades suburbanas construídas nos últimos cinqüenta anos, e uso do automóvel per capita aumentou muito.

Embora o Novo Urbanismo como um movimento organizado só surgiria depois, já nos anos 1950, vários ativistas e pensadores começaram a criticar as técnicas de planejamento modernistas postas em prática então. O filósofo social e historiador Lewis Mumford criticava o desenvolvimento anti-urbano de América do pós-guerra. A Morte e Vida de Grandes Cidades [6], escrito por Jane Jacobs no início dos anos 1960, exortava os planejadores a reconsiderar a habitação unifamiliar, os bairros dependentes do carro, e centros comerciais segregados, que tinham se tornado a norma.

Inspirados nestes primeiros dissidentes, o Novo Urbanismo emergiu nos anos setenta com as visões urbanas e modelos teóricos semelhantes à proposta para a reconstrução da cidade “européia” do arquiteto Léon Krier, e pela teoria da Linguagem de Padrões [7] de Christopher Alexander.

Seaside, Flórida. Imagem socialcapital.wordpress.com/

Em 1991, a Comissão Governamental Local, um grupo privado sem fins lucrativos, sediado em Sacramento, Califórnia, convidou os arquitetos  Peter Calthorpe, Michael Corbett, Andrés Duany, Elizabeth Moule, Elizabeth Plater-Zyberk, Stefanos Polyzoides, e Daniel Solomon para desenvolver um conjunto de princípios comunitários para o planejamento do uso de terra. A comissão apresentou o seu trabalho, denominado Princípios de Ahwahnee, ao governo, no outono de 1991, na sua primeira Conferência de Yosemite.

Calthorpe, Duany, Moule, Plater-Zyberk, Polyzoides, e Solomon fundaram o Congresso de Chicago para o Novo Urbanismo em 1993. O CNU ganhou a adesão de mais de 3000 sócios, e é a principal organização internacional a orientar e promover projetos segundo princípios novourbanistas. Sua atividade inclui a criação de congressos anuais em várias cidades norte-americanas.

Rua de pedestres em Bitola, Republica da Macedonia. Imagem http://en.wikipedia.org/wiki/New_Urbanism

O Novo Urbanismo é um movimento amplo que inclui várias disciplinas e escalas geográficas diferentes. E, apesar de a abordagem convencional para crescimento continue dominante, o Novo Urbanismo cresce em influência nos campos da arquitetura, desenho urbano e politicas públicas.

Elementos do Novo Urbanismo

O cerne do Novo urbanismo está no desenho de bairros que podem ser definidos através de 13 elementos, de acordo com planejadores Andrés Duany e Elizabeth Plater-Zyberk, dois dos fundadores do Congresso para o NovoUrbanismo . Um bairro autêntico deve conter a maioria destes elementos.

1. O bairro deve ter um centro marcante. Este é freqüentemente uma praça, um jardim, ou,  às vezes uma esquina importante, movimentada  ou memorável. Uma parada de ônibus deve ser localizada neste centro.

2.   A maioria das habitações deve ser atingida numa caminhada de cinco minutos do centro, um raio de aproximadamente 600 metros.

3. Deve haver uma variedade de tipos de moradias – normalmente casas isoladas, casas geminadas e apartamentos, de forma que as pessoas mais jovens e mais velhas, solteiros e casados, pobres e ricos possam achar lugares para viver.

4. Nos limites do bairro, deve haver  lojas e escritórios de tipos suficientemente variados, para prover as necessidades semanais de uma casa.

5. Um pequeno edifício dentro do quintal de cada casa é permitido. Pode ser usado como uma unidade de aluguel ou para pequeno comércio, escritório ou artesanato.

6. Deve haver uma escola primária perto, de forma que a maioria das crianças possa caminhar de sua casa até este destino sem travessia de ruas.

7. Deve haver pátios de recreio pequenos, para crianças, jovens, adultos e idosos, acessíveis para todas as habitações, distante não mais que 200 metros.

8. Ruas dentro do bairro formam uma rede conectada que dispersa o tráfego ao prover uma variedade de rotas de pedestres e veículos a qualquer destino.

9. As ruas devem ser relativamente estreitas e sombreadas por filas de árvores. Isto reduz a velocidade tráfico, ao mesmo tempo que cria um ambiente adequado para  pedestres e bicicletas.

10. Edifícios no centro de bairro devem ser colocados perto da rua, enquanto criando um espaço ao ar livre bem definido.

11. Estacionamentos e garagens  raramente devem defrontar a rua. O estacionamento deve ser relegado à parte traseira de edifícios, normalmente acessados por ruelas.

12. Certos locais proeminentes na perspectiva da rua ou no centro de bairro devem ser reservados para edifícios cívicos. Estes provêem locais para reuniões de comunidade, educação, e religiosos ou atividades culturais.

13. O bairro é organizado para ser autônomo. Caberá a uma associação formal o debate e a decisão sobre assuntos de manutenção, segurança, e mudanças físicas. A tributação é aresponsabilidade da comunidade maior.


[1] TND. Traditional Neighborhood Design.

[2] TOD. Transit Oriented Development.

[3] KELBAUGH, Douglas S. Repairing the American Metropolis: Common Place Revisited. Seattle: University of Washington Press, 2002. P. 161.

[4] KUNSTLER, James Howard. 1998. Home from nowhere: remaking our everyday world for the twenty-first Century. A Touchstone book. New York, NY: Simon & Schuster. P.28.

[5] Urban sprawl.

[6] JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000. Edição Original The Death and Life of Great American Cities. New York: Random House, 1961.

[7] ALEXANDER, Christopher (1977). A Pattern Language: Towns, Buildings, Construction. Oxford University Press, USA

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