Team X

Tradução e edição de Silvio Colin

Team X (também Team Ten ou Team 10) não é, nem nunca foi, um grupo de dez arquitetos para defender um programa ideológico rigorosamente definido. O Team X foi constituído em 1954, por pessoas  encarregadas de preparar o 10º   Congresso Internacional de Arquitetura  Moderna (CIAM)[i] de Dubrovnik, em 1956. Daí vem o “10” do nome. Nada mais nada menos que o grupamento de vários arquitetos de formações distintas que, em determinado momento histórico , estendido esporadicamente por muitos anos, partilharam uma mesma experiência crítica nos colóquios internacionais consagrados à arquitetura. Seu fórum de crítica eram reuniões entre interlocutores que se conheciam bem, e talvez por esta razão que seu diálogo foi tão intenso.

Ninho de Abelha. Casablanca, 1952. Candilis, Woods arquitetos. Imagem <resohab.univ-paris1.fr>

Qualquer tentativa de síntese histórica a partir de declarações ou de obra construída  de diversos membros está destinada ao fracasso. A única publicação que traz o nome Team X, o “Team X Primer” (Arquitetural Design, 1962 / Studio  Vista, 1968) , é de fato uma compilação reunida e publicada por um dos membros do grupo, cujos documentos gráficos e escritos foram fornecidos pelos outros membros. Alison Smithson, responsável pela publicação, não procurou, felizmente, dar uma unidade de conjunto a uma produção de projetos e princípios arquitetônicos tão distintos. não procurou  estabelecer uma coerência ideológica interna  aparente que jamais existiu.

Team X, muitas vezes referido como  Team Ten, era um grupo de arquitetos e outros participantes convidados, reunidos a partir de julho de 1953, no 9º Congresso C.I.A.M. e criou um cisma nesta entidade, desafiando sua abordagem doutrinária de urbanismo. A primeira reunião formal do grupo sob o nome de Team X ocorreu em Bagnols-sur-Cèze em 1960, o último, com apenas quatro membros presentes, foi em Lisboa em 1981, O núcleo do grupo Team X era composto de sete participantes mais ativos e envolvidos, ou seja, Jacob Bakema, Georges Candilis, Giancarlo De Carlo, Aldo van Eyck, Alison e Peter Smithson e Shadrach Woods. Outros participantes e suas contribuições foram também importantes, particularmente os de José Coderch, Ralph Erskine, Amâncio Guedes, Rolf Gutmann, Geir Grung, Oskar Hansen, Reima Pietila, Charles Polonyi, Brian Richards, Soltan Jerzy, Oswald Mathias Ungers, John Voelcker, e Stefan Wewerka.

Orfanato em Amsterdã. Aldo van Eyck. 1958-60

Eles se referiam a si mesmos como “um pequeno grupo familiar de arquitetos que buscaram-se uns aos outros, porque cada um tinha encontrado nos outros o apoio necessários ao desenvolvimento e compreensão da seu trabalho individual. [1] O quadro teórico do Team X, divulgada principalmente através do ensino e de publicações, teve uma profunda influência sobre o desenvolvimento do pensamento arquitetônico, na segunda metade do século XX, principalmente na Europa. Dois movimentos distintos emergiram Team X: o Novo Brutalismo dos membros inglêses Alison e Peter Smithson e o Estruturalismo, dos membros holandêses Aldo van Eyck e Jacob Bakema.

Após a 2ª Guerra Mundial, tornou-se o CIAM o local de encontro para uma nova geração de arquitetos modernos. Como estudante, Candilis já participara no CIAM de reuniões desde o congresso em Atenas, de 1933, enquanto Bakema e Van Eyck esteveram envolvidos nas discussões sobre o futuro da arquitetura moderna desde o encontro em Bridgwater, em 1947. Alison e Peter Smithson participaram do congresso em Hoddesdon em 1951, para ouvir a fala de Le Corbusier, e foi lá que encontraram, entre outros, Candilis, Bakema e Van Eyck. Essas personagens fariam parte do núcleo do Team X após o dissolução do CIAM, bem como seria de Shadrach Woods e Giancarlo De Carlo.

Escola de Hunstanton. Alison e Peter Smithson. 1956. Imagem < www.williemiller.co.uk>

Os membros mais jovens, que promoveram as alterações no CIAM, formaram um grupo muito mais amplo do que o núcleo posterior do Team X. Após o oitavo Congresso, em Hoddesdon, os grupos nacionais individuais dos CIAM criaram «seções de jovens, cujos membros, geralmente tiveram uma parte muito ativa na organização. A intenção era de rejuvenescer os CIAM, mas ao invés disso, de um conflito de gerações começou a dominar os debates, desencadeando um longo processo de entrega do controle da organização CIAM para a geração mais jovem. Após o décimo congresso em Dubrovnik, em 1956, organizado por um grupo representante da nova geração, que foi apelidado de Team X, a tentativa de rejuvenescimento do CIAM começou a hesitar, e em 1959, a lendária organização chegou ao fim em um congresso no final Otterlo.

Conjunto habitacional em Marrocos. Bodiansky, Candilis, Piot e Woods. 1952.

Um novo Team X independente, com uma composição parcialmente alterada, posteriormente começou suas explorações, em encontros subsequentes, sem declaração formal de uma organização nova.

Há uma variedade de razões pelas quais o Team X e seus participantes principais emergiram deste processo. Eles certamente pertencia à mais combatente, sincero e eloqüente facção jovem dos Congressos. Eles também compartilhavam uma profunda desconfiança com o estabelecimento burocrático da organização CIAM antigo, o qual eles se recusaram a continuar. Mas talvez o mais importante, eles foram inicialmente parte do grupo CIAM mais ativo e dominante, ou seja, aquele do Reino Unido, França, Itália, Países Baixos e Suíça, que foram gerido pela chamada segunda geração dos arquitetos modernos. Esta observação, em parte, explica por que não há participantes alemães no Team X nos primeiros anos.

O conceito de tronco. Projeto Caen-Herouville (France), 1961. Candilis, Josic e Woods.

Devido à Segunda Guerra Mundial, os maiores nomes da primeira e segunda geração de arquitetos modernos tinham fugido do país para o Reino Unido e E.U.A.. Essa migração também explica o predomínio dos anglo-saxões nas contribuições para o CIAM pós-guerra, que era bastante diferente dos anos pré-guerra, quando a arquitetura moderna foi dominadas por  evoluções no continente europeu. Especialmente os “Jovens” inglêses estavam ansiosos para abandonar a organização CIAM  e criou sua própria plataforma.

Não há dúvida de que a Team X nasceu dentro CIAM mas é impossível identificar um exato momento de sua origem, olhando para trás. Cada participante notável parece se lembrar de um momento diferente em particular. O período de 1953-1981 representa anos da interação mais intensa entre os participantes do núcleo. Todos eles estiveram presentes em um encontro oficial pela primeira vez em 1953, no congresso do CIAM em Aix-en-Provence, exceto De Carlo, que assistiu ao primeiro encontro do CIAM em 1955, e que realmente não fez parte do núcleo do Team X até a dissolução do CIAM. O último encontro oficial do Team X  teve lugar em 1977, mas, em retrospecto, os participantes do núcleo identificam o desaparecimento de Bakema, em 1981, como marcando o final do Team X. Com a perda de Bakema como uma força motriz, a “magia” das reuniões aparentemente evaporou. Ao mesmo tempo, este foi o momento em que Van Eyck e os Smithsons se envolveu em uma disputa que prejudicou seu anteriormente extreito relacionamento. Individualmente, membros do grupo continuaram a se encontrar, mas o núcleo do grupo com tal, finalmente, havia-se desintegrado.  Além do estatus ambíguo dos participantes e do grupo, bem como a linha do tempo, há uma terceiro fator complicador na reconstrução da história do Team X.

Reunião do Team X em Roterdã, no jardim da casa de  Van Eyck em Loenen, 1974. Imagem <www.team10 online.org>

Do ponto de vista convencional historiografico, não há um produto tangível ou objeto de pesquisa. Os indivíduos dentro do grupo enfaticamente mantiveram suas posições autônomas, como o demonstram os muitos dos confrontos que surgiram. No entanto, eles persistiram chamando-se Team X, uma «família», exprimindo a sua ligação estreita e sua confiança e respeito mútuos.

Não houve uma inequívoca teoria ou escola, no sentido tradicional, que pudéssemos creditar ao Team X. Houve apenas um manifesto, o Manifesto de Doorn , de 1954 e que tinha sido montado dentro da organização CIAM antiga, antes da criação formal do Team X. Mesmo este manifesto, aliás, foi motivo de disputa entre o grupo holandês e inglês, jovens membros do CIAM. Menção pode ser feita de dois outros breves declarações públicas que foram publicados em 1961, em seguida à dissolução do CIAM – a «Declaração de Paris” e “O objetivo do Team X”.

Eles declararam as intenções do novo grupo para continuar a se encontrar, mas isto dificilmente pode ser chamado de um programa de uma nova arquitetura. De acordo com o texto introdutório do Team X Primer, os membros individuais “procuraram-se mutuamente, pois cada um tinha encontrado na ajuda dos outros, movimentos necessários para o desenvolvimento e a compreensão de seu próprio trabalho pessoal”.

Pode-se argumentar que o único ‘produto’ do Team X, foram as suas reuniões, na qual os participantes colocaram seus projetos na parede, e expuseram-se à análise implacável e feroz crítica de seus pares. Não obstante, a obra de seus principais membros e os movimentos por estes criados, com suas próprias equipes, O Novo Brutalismo, O Estruturalismo, e mesmo, talvez um pouco distante, o Metabolismo Japonês, testemunham, de alguma forma o penssamento de seus membros.

Reunião do Team X em Otterlo.

 


[i] CIAM ( Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna ) – Entidade fundada em 1928, destinada a reunir as diversas tendências da arquitetura moderna e normatizar sua prática.  Contava com representantes  de diversos países e reuniu-se em dez ocasiões, até 1956.  O tom cada vez mais pragmático e excessivamente formalista determinou sua dissolução por ocasião do CIAM X.  Seu produto mais importante, e também o mais criticado, foi a Carta de Atenas ( CIAM  IV, 1933 ) que estabeleceu as bases ideológicas do urbanismo modernista.

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