Sajous

Silvio Colin

Henri Paul Pierre Sajous (1897-1975) foi um arquiteto francês a quem o Rio de Janeiro deve alguns de seus mais belos edifícios. Viveu nesta cidade entre 1930 e 1944. Veio ao Brasil a convite do  Comendador Francisco de Souza Costa para projetar as Termas de São Lourenço, no Parque das Águas desta cidade, que foi inaugurado em 1935, com a presença do Presidente Getúlio Vargas. Também de sua autoria, no mesmo sítio, é o Pavilhão da Fonte Vichy, um primor.

Balneário de São Lourenço. 1935.

Fonte Vichy

Henry Sajous divide, no Rio de Janeiro, com Robert Prentice, Adalbert Szilard, Raphael Galvão, entre outros, uma produção que denominamos Pré-Moderna, plenamente integrada tecnologicamente à sua época, porém não alinhada com o pensamento maquinista pregado pela Bauhaus, Le Corbusier e outros vanguardistas.

Apesar de ter obras marcantes  na  França, e no Brasil, também em São Paulo e Minas Gerais, como já vimos, é no Rio de Janeiro que estão suas obras primas, e, dentre elas, o Edifício Biarritz, um dos mais belos edifícios residenciais desta cidade, não somente pelo seu caprichoso projeto, como também pela execução primorosa.

Edifício Biarritz. Praia do Flamengo N°268.

Projetado em 1940 por Sajous e Auguste Rendu, caracteriza-se pelo requitado desenho de seus balcões e gradis, e suas finas serralherias, detalhes do mármore de carrara, do enorme portão de ferro trabalhado, característicos da atitude arquitetônica da época.

Edifício Biarritz. Detalhe. Foto Andre Skowronski.

Da mesma lavra, e próximo ao Biarritz, na esquina da Rua Paissandu, esta uma outra obra prima, o edifício Tabor Loreto, projetado em 1946.

Edifício Tabor Loreto. Foto Guilherme Gorini.

Edifício Tabor Loreto. Detalhe. Foto Guilherme Gorini.

Sajous havia projetado em 1938 a Igreja da Santissima Trindade, na Rua Senador Vergueiro N°141, no Flamengo. Uma obra pensada nos menores detalhes, com 21 vitrais de 1,20 m por 8,00 m, que fazem referência aos vitrais da Catedral de Chartres,  e na nave 18 belíssimas estátuas do escultor Gabriel Rispal, completam a idéia da arte total, de que Sajous demontrava ser um defensor.

Igreja da Santíssima Trindade <Imagem <sajous-henri.com>

Igreja da Santíssima Trindade. Detalhe de um vitral e da estátua de São Vicente, do escultor Gabriel Rispal. Foto G. Gorini.

Em 1934, contratado pela firma Mestre et Blatgé, que em 1939 passou a denominar-se Mesbla S.A., projetou o edifício que sobreviveu à firma e ainda hoje marca a paisagem do Passeio Público do Rio de Janeiro.

Edifício Mesbla. Imagem <sajous-henri.com>

Edifício Mesbla Imagem <mesbla.blogspot.com> com intervenção.

Em 1938 colocou-se em 1º lugar no Concurso de Arquitetura para o Palácio do Comércio do Rio de Janeiro, na Rua da Candelaria N° 9, Centro.

Palácio do Comércio. Imagem <sajous-henri.com> Foto G. Gorini.

Coincidentemente com a vigência do Estado Novo,  Sajous viveu no Rio de Janeiro. Em 1944, mudou-se para São Paulo, alegando ter esta última cidade, “um clima mais moderado”. Lá morou até 1959, quando mudou-se definitivamente para a França. Em São Paulo projetou importantes edifícios como o Hipódromo do Jockey Club de São Paulo, o Edifício Brasília, o Edifício São Joaquim e o Banco Cruzeiro do Sul, além de inúmeras residências.

Edifício São Joaquim, sede da Rhodia. São Paulo 1946. Imagem <sajous-henri.com>

Residência Alexandre Issa Maluf. São Paulo, 1944. Imagem <sajous-henri.com>

Link: http://sajous-henri.com/

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