Híbrido Conectado

Híbrido Conectado

Linked Hybrid

Pequim, 2003-9. Arquiteto Steven Holl

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A ideia não é nova. Ao contrário, vem com algumas décadas de uma história responsável pelos maiores fracassos do Movimento Moderno, mas vem revigorada. O Híbrido Conectado é uma mega-estrutura, no melhor modelo dos brutalistas dos anos 1960 e 1970. Naquela época falhou e viu seus grandes edifícios, muitos deles premiados pelos associações de arquitetos, como é o caso do Conjunto Pruit-Igoe, em Saint-Louis[1], ou consagrados pela crítica, como é o caso do Robin Hood Gardens, de Alison e Peter Smithson[2], ambos condenados, o primeiro implodido em 1972.

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As mega-estruturas, edifício residenciais com funções urbanas, cujo primeiro exemplar no contexto moderno é a Unidade de Habitação de Marselha, recebem do arquiteto Steven Holl um novo lema: “Uma cidade dentro da cidade”. Uma primeira constatação é a da vitória do “pensar grande” modernista. Cada vez mais as soluções encaminham-se para as mega-soluções, para o gigantismo. E aquela reflexão, típica dos anos 1960, do pensar pequeno, da escala humana, do uso de figuras arquitetônicas arquetípicas, do historicismo, levada a efeito pelos neo-racionalistas italianos e alemães e pelos arquitetos pop americanos, parecem ter sucumbido.

Com mais de 17.400 mil moradores e uma crescente classe média ansiosa para mudar de suas habitações da era Mao para novos apartamentos, Pequim vem construindo torres residenciais em uma atividade incessante durante a maior parte da última década. No melhor estilo Corbusier dos anos 1920, o processo apagou bairros inteiros de casas-pátio de apenas um pavimento, nas antigas  vielas, conhecidas como hutong, desfiando o tecido apertado que conectava moradores, comerciantes e empresas locais. Enquanto uns poucos ricos chineses e estrangeiros têm amorosamente restaurado ou modernizado antigas casas-pátio, a maioria das famílias de renda média mudaram-se para novas torres de apartamentos isoladas ou em condomínios.[3]

Desenho de Walter Gropius de 1929, defendendo a solução em altura para conjuntos habitacionais. GROPIUS, 1956.

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Esquema de Steven Holl

Os processos de reflexão são também semelhantes ao das vanguardas modernistas. Em 1929, Gropius publicava seus célebres esquemas, avalizando a solução em altura. Veja-se, nestes desenhos de Holl, como a reflexão é semelhante. E ai começam as diferenças. Enquanto os epígonos do Movimento Moderno queriam uma arquitetura apenas expressiva, sem referentes externos, os arquitetos do Século XXI trabalham com temas exóticos, como esta clara referencia a Matisse, utilizada por Steven Holl. Há ainda que ressaltar a grande liberdade formal, que os modernistas de primeira hora não se permitiam. O hibridismo do conjunto, suas variações em porte e altura, também são novidade. Não se trata aí de negar a arquitetura para a indústria, mas pelo menos se nega a imagem do mega objeto repetido ad infinitum, com a mesma figura. Na verdade é uma avanço da própria indústria, cujos sofisticados processos hoje admitem a costumização.

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Referencias. A dança. Matisse, citado por S. Holl. Castelo Conway, citado por Dan Hill.

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O nível do solo oferece uma série de passagens abertas para todas as pessoas (moradores e visitantes). Essas passagens garantem um micro-urbanismo de pequena escala. As lojas servem para ativar o espaço urbano em torno do grande lago. No nível intermediário dos edifícios mais baixos, telhados-jardim públicos oferecem espaços verdes tranquilos, e no topo das oito torres residenciais, jardins privados estão ligados às unidades da cobertura. Todas as funções públicas no nível do solo, incluindo restaurante, hotel, escola Montessori, jardim de infância, e cinema – tem conexões com os espaços verdes envolventes e penetrantes do projeto.

      13 1252354623-steven-holl-lh-08-10-3264-1000x664

programatic-floor-plan-1000x756 - CópiaO elevador desloca o público para outra série de passagens em níveis mais elevados. Do 12º ao 18 º andar de uma série de pontes elevadas multi-funcionais com uma piscina, uma sala de ginástica, um café, uma galeria, um auditório e um pequeno salão, ligam as oito torres residenciais e a torre do hotel, e oferece vistas espetaculares da cidade. Programaticamente este laço aspira a ser uma ligação em trama, não simplesmente uma passagem linear. Esperam os arquitetos que o laço público elevado e o laço da base gerem constantemente relacionamentos sociais novos. Eles vão funcionar como condensadores sociais, resultando em uma experiência especial da vida da cidade para os moradores e visitantes.

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A idéia da rua elevada acima da cidade se destina a combater a sensação de isolamento que arranha-céus trazem aos moradores normalmente, e criar um incentivo para os residentes caminharem ao redor do complexo. […] As pontes são espetaculares, dentro e fora, e podemos imaginar que será um atrativo inigualável caminhar torre a torre que tomar um café. ” Ellie Stathaki, Wallpaper

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Poços geo-térmicos de 660 a 100 metros de profundidade servem ao Linked Hybrid com refrigeração no verão e aquecimento no inverno, e reciclagem de água estão entre as várias estratégias verdes utilizadas e tornam um dos maiores projetos residenciais verdes do mundo, aspirando a classificação LEED Ouro.

No entanto, ser eficiente energeticamente não é o único aspecto a considerar para se obter um certificado LEED , diz Li Hu, o parceiro de Steven Holl Architects e diretor de projetos na China. A produção de materiais de construção, gerenciamento de sítio de construção para evitar a poluição e a lida com resíduos de construção também contam para ganhar pontos para a certificação. Para este fim, os arquitetos especificaram alumínio reciclado nas fachadas e bambu nos pisos.

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Vale citar também a maneira engenhosa do tratamento mural do edifício. As fachadas lembram a grade fenestrada no melhor estilo “Chicago”, porém é apenas aparência, e, provavelmente intencional. As fachadas têm uma pele painelizada, um sistema de revestimento com chapas metálicas, que passou a ser adotado na grande arquitetura apenas nos anos 1970, e foi popularizado por Richard Meier. Estes painéis são responsáveis pela regularidade das fachadas de todo o conjunto, sem dúvida o elemento de ligação necessário para contrabalançar o hibridismo volumétrico.

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Referencias murais. A grade fenestrada do Carson Pirie &Scott de Louis Sullivan e o edifício John Hancock, do escritorio SOM, ambos em Chicago.

Os caixilhos das janelas coloridas são uma característica de Steven Holl. A mesma idéia foi utilizada nos edifícios do MIT Simmons. Aparentemente, a distribuição das cores é aleatórios. Diz o arquiteto que inspirou-se em templos budistas e, para a determinação das cores, utilizou orientação do I Ching. As cores dão expressão à fachada cinza prateada. Mas não é somente a grade fenestrada que nos lembra Chicago. Também as grandes escoras estruturais diagonais, nos remetem ao John Hancock Center, mas também ai, a liberdade do desenho estrutural nos aparece como novidade.

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Planta do conjunto

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Planta das unidades

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fachada no conjunto.

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Corte transversal do conjunto

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Detalhe do corte no auditório

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Detalhe do corte nas passarelas elevadas

Interior do auditório

  Interior de uma unidade

Vinheta Casasabrasileiras

Bibliografia e referências

Gropius. W. Scope of Total Architecture. Nova Iorque: Harper & Row, 1956

http://www.cityofsound.com/blog/2011/04/linked-hybrid-beijing-steven-holl.html

http://www.archdaily.com/34302/linked-hybrid-steven-holl-architects/

http://archrecord.construction.com/projects/portfolio/archives/1001linkedhybrid/1.asp

Dan Hill Architecture, Cities & Places, Strategic design



[1] Ver artigo A Morte da Arquitetura Moderna neste Blog.

[2] Ver artigo Alison e Peter Smithson neste blog.

[3] archrecord.construction.com

Uma resposta para “Híbrido Conectado

  1. Gosto muito desta arquitectura por isso quero que me adicione nos vossos email.

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