Agro-habitação

  Agro-Habitação e Sustentabilidade

Sobre um artigo publicado em www.archdaily.com.

Edição e comentários Silvio Colin

Agro-Housing 1

 A Agro-Habitação foi o projeto vencedor da versão 2007 do Concurso para Habitação Sustentável promovido pela Living Steel para a China. Parte edifício de habitação, parte estufa, a proposta prevê  para os moradores da cidade a possibilidade de ter uma experiência de agricultor. Uma combinação de amenidades rurais e facilidades urbanas, a proposta é um partido original sobre a dualidade campo-cidade. Não deixa de ser um olhar inovativo sobre a urbanidade sustentável.

Living Steel, a entidade promotora, é uma conglomerado mundial de empresas fundado em 2005, gerido pela Associação Mundial de Aço e financiado pelas contribuições de empresas filiadas, cujo objetivo é desenvolver e estimular a utilização de aço em construções habitacionais inovadoras e sustentáveis. A proposta é assinada pelos arquitetos israelenses David Knafo e Tagit Klimor.

Agro-Housing 5

Em pequena escala, o tipo habitação com estufa  promete aos moradores a liberdade para cultivar suas próprias verduras a gosto, gerenciar suas casas sem ter que depender de agricultores a milhas de distância, e podendo, segundo os empreendedores,  se tornar uma fonte de renda. Estas estufas, de vários andares, fornecem a cada unidade residencial dez metros quadrados de espaço para plantio. Trata-se de um sistema de plantio “sem-solo”, equipado com irrigação por gotejamento, utilizando “água cinzenta” reciclada da água servida de apartamentos e de águas pluviais coletadas a partir do telhado. O produto, sendo orgânico, deve ser mais saudável, mais fresco, livres de produtos químicos e fertilizantes.

Agro-Housing 8

Em uma escala maior, argumentam os arquitetos e promotores do empreendimento, este tipo de construção poderia cortar custos de construção e de transporte de produtos, de infra-estrutura, criar um saudável ambiente urbano, onde noções rurais de contato com a terra e a natureza são incorporadas à arquitetura. Funciona de maneira semelhante às BrightFarms, uma empresa com sede nos EUA, que opera estufas hidropônicas em telhados de supermercados, eliminando a distância, tempo e custo da cadeia de abastecimento alimentar. Além das suas estufas, o edifício inclui aquecimento solar e arrefecimento, assim como um sistema de energia geotérmica para regular a temperatura utilizando a água subterrânea.

Agro-Housing 19 - Cópia

Os arquitetos também defendem o projeto antecipando uma mudança cultural. A partir dessa experiência,  o morador da cidade, também um agricultor, tem sua atividade mais perto de casa, o que pode produzir laços mais estreitos com a família e com a comunidade dentro do edifício. O programa inclui também um clube para reuniões sociais e um jardim de infância. O edifício tem uma projeção mínima para liberar o espaço no terreno tanto quanto possível para a agricultura e coleta de água. A pavimentação também é reduzida e constituída por materiais reciclados.

Agro-Housing 22 Traduzido

O projeto está previsto para construção em Wuhan, China. O projeto prevê a possibilidade de o edifício tornar-se módulo de um protótipo de um futuro bairro, totalizando cerca de 10.000 unidades residenciais. “Nós estamos olhando para a frente!”, dizem os empreendedores.

É um sucesso garantido entre estudantes de arquitetura, sensíveis a temas e conteúdos relacionados a termos tais como sustentabilidade, ecologia etc. e asfixiados pelos descaminhos da vida urbana das megalópolis, que veem neste tipo arquitetura uma solução.

Agro-Housing 2

Mas plantar árvores  em edifícios, qual um Nabucodonosor do terceiro milênio, fazendo jardins suspensos, é uma solução efetiva?  A questão lembra uma anedota, que já vi atribuída a Frank Lloyd Wright, embora não garanta a procedência. Dizia Wright que os médicos são mais felizes que os arquitetos, pois eles enterram os seus erros. O arquiteto pode apenas esconde-los com vegetação.

Algumas coisas aí soam estranhas. Não nos esqueçamos que a entidade promotora é representante mundial de fabricantes de estruturas metálicas. O aço é um dos materiais que apresenta maior quantidade de energia incorporada, cujo processo de fabricação causa degradação ambiental, sendo a sua utilização em construção considerada, em princípio, anti-ecológica. Também fica difícil de acreditar que esta solução possa ser aplicada em tão larga escala e que resolva o problema da qualidade dos alimentos, dos agrotóxicos, do transporte e dos relacionamentos interfamiliares.

Fica o encanto utópico de se ter uma horta e um jardim particulares, que pode, em certos momentos, tornar o dia-a-dia mais ameno. Mas a verdadeira solução não parece apontar pare este caminho. Muito pelo contrário: tais soluções, para parafrasear o economista Aaron Levenstein, são como o biquíni, sedutoras, mas escondem coisas essenciais.

A cidade não é um mal absoluto, e o campo não é o paraíso. Os arquitetos e cientistas têm hoje conhecimento para ajudar a sociedade a construir cidades amigáveis e amenas, onde seja possível a vida sem poluição, estresse e atropelo. Os benefícios que a cidade traz, de oferta de emprego, bons serviços, proximidade e mobilidade são patentes. E não precisamos fazer edifícios com árvores dentro para que as pessoas possam desfrutar da natureza.

Essa é uma questão que envolve postura crítica, visão estratégica, possibilidade de intervenção e controle, equilíbrio, coragem para sobrepor o coletivo ao individual. Valores que, às vezes, são interditados e impossibilitados, senão pela simples ignorância, incompetência e imobilismo, mas principalmente pela ambição, egoísmo, voracidade, imediatismo, inconsequência ou corrupção de alguns agentes que detêm o poder e viram as costas para o conhecimento.

 Cópia de Rubrica SC

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Aviso

Vinheta Casasabrasileiras

 

 

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