Arquivo da categoria: Arquitetura e contexto

O Pensamento Fraco em Arquitetura II

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MONUMENTO

A posição antimonumento do Movimento Moderno justificava-se por ser o monumento uma prática da arquitetura do passado, tanto imediato como remoto, uma prática vitoriana que urgia substituir. Além disso, próprio nome “moderno” já traz, em si, o sentido do último, do mais recente, ao qual nada sucederia. Havia um sentimento de que era necessário romper com o passado. Os argumentos eram políticos, estilísticos, econômicos e retóricos.

Toda a arquitetura da modernidade, anterior ao século XX, fora construída sob o signo da ordem aristocrática ou burguesa, para exercer ou manifestar o seu poder. A arquitetura monumental não apenas representava este estado de coisas, como ajudava a mantê-lo. Os estilos, “qual plumas na cabeça de uma mulher” [1], no dizer de Le Corbusier, não tinha mais razão de ser. Por outro lado, a crescente urbanização trouxe para a arquitetura o tema da economia, não somente de recursos, mas também de “energia” psíquica, como diria Adolf Loos, de espaço, de formas. Le Corbusier argumentava que “Não temos mais dinheiro para construir monumentos históricos” [2]

Monumento a Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.Cor Mies . Berlim, 1926. Continuar lendo

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Um Rio dividido

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Um artigo  de Michael Kimmelman, publicado no New York Times dia 25 de novembro, 2013. faz uma clara análise da situação da cidade do Rio de Janeiro frente aos mega eventos que se aproximam, em 2014, seus dilemas, malversações, descaminhos, numa lógica difícil de ver na nossa impressa, também comprometida com o poder, a noticia de impacto, as imagens…

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A difícil jornada na frágil van leva à colina íngreme do Morro da Providência, a favela mais antiga desta cidade. Última parada: a pequena praça, silenciosa, com uma loja de hardware, bar e um par de jovens policiais no carro blindado, empunhando metralhadoras, patrulhando a ainda fechada estação do teleférico, que a cidade recentemente construiu. O porto (Maravilha) é visível lá embaixo.

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Croissant de Ipanema

Vinheta Croissant

A Associação de Moradores de Ipanema pediu há uns três anos, e o governador do Estado do Rio vai atender, segundo a publicação em um Jornal carioca, o fim de uma cobertura de acesso ao Metrô situada na Praça General Osório, em Ipanema. A construção é chamada pejorativamente de “croissant”, e qualificada de “horrorosa” e “trambolho”, pela coluna de Ancelmo Gois de “O Globo”. Segundo a coluna, a estrutura será substituída por outra “que parece se integrar melhor à paisagem da praça.”

Croissant de Ipanema - Cópia

Entrada do Metrô da Praça General Osório. O “Croissant”.

Nova entrada do metro

Futura entrada do Metrô da Praça General Osório.

O fato é expressivo por diversos aspectos que, juntos, atestam para a indigência de nossa critica arquitetônica e também para mau uso que fazem desta os jornalistas, certamente despreparados para tal função, mas que ocupam um espaço deixado vago por nossos profissionais. Continuar lendo

10 mandamentos da arquitetura sustentável

Silvio Colin

1 – Pense pequeno

Imagem http://www.dailyrumors.net

Pequenas casas são belas e aconchegantes. No século XX a tendência foi de, sempre que possível, habitar grandes casas e grandes edifícios de apartamentos, que consomem grandes quantidades de energia. Quanto maior a casa ou apartamento, mais material e maior dano para o ecosistema. Uma habitação deve ter o tamanho correto para seus moradores. Nem mais nem menos. Isto se pode conseguir com o uso eficiente do espaço, boa organização, e guardando apenas o necessário, descartando-se do que não se vai mais utilizar. Continuar lendo

Bruce Goff

Silvio Colin

A beleza explode quando é necessário; o artista a sente por dentro. E nenhum desalento pode detê-lo. (Bruce Goff)

Quase um desconhecido dos estudantes brasileiros, Goff é uma das maiores expressões da arquitetura romântica americana, utilizando-se sempre de materiais alternativos e formas inusitadas para expressar a sua explosiva criatividade.

Bruce Alonzo Goff nasceu em Alton, Kansas, 08 de junho de 1904. Foi uma criança prodígio. Com doze anos, foi aprendiz na firma Rush, Rush e Endacott de Tulsa, Oklahoma, e tornou-se sócio da empresa em 1930. Ele é autor, juntamente com sua professora de arte Adah Robinson, do projeto da Igreja Metodista Episcopal de Tulsa, na Boston Avenue, um dos melhores exemplos da arquitetura Art Déco nos Estados Unidos.
Igreja Metodista Episcopal de Tulsa. 1927-9. Adah Robinson e Bruce Goff. Imagem http://imaginativeamerica.com Continuar lendo

Novo Urbanismo

Baseado no verbete http://en.wikipedia.org/wiki/New Urbanism

Tradução e edição de Silvio Colin

O Novo Urbanismo é um movimento voltado para o desenho urbano que defende o projeto de vizinhanças para pedestres com funções mistas de habitação e trabalho. Surgiu nos Estados Unidos no início dos anos 1980 e continua atuante em  muitos projetos de desenho e planejamento urbano.

O Novo Urbanismo é influenciado fortemente por padrões de desenho urbano anteriores à entronização  do automóvel e estabelece princípios como desenho do bairro tradicional (TND) [1] e  desenvolvimento orientado pelo trânsito (TOD).[2][3] É também relacionado de perto a com os conceitos de Regionalismo e Ambientalismo. Continuar lendo

Contexto no contexto

Denise Scott Brown

Trecho do livro Architecture as signs and systems: for a mannerist time de Robert VENTURI e Denise SCOTT-BROWN (Cambridge,MA: Belknap/Harvard, 2004. P. 175-181.).

Tradução e edição de Silvio Colin


No texto abaixo, Denise Scott Brown fala da questão da inserção do edifício em seu contexto. A arquiteta e seu marido, Robert Venturi têm uma visão única e original sobre o problema, visão esta que é confirmada em seus projetos, cujo ponto de ataque é, no mais das vezes, a relação com o meio ambiente que o envolve.  As ilustrações foram selecionadas por mim.

Caminhando em Amsterdã em uma rua de casas datadas do século dezenove, eu notei uma casa original do século XX. Sua data era difícil de precisar. A completa ausência de ornamento e a proporção das janelas sugeria algo em torno de 1930, mas poderia  ser de 1950 ou mesmo uma versão modernista de 1960. Ai eu vi que uma bandeira sobre a porta frontal fora copiada do edifício vizinho. Isto indicava a procedência de um pós-modernismo de 1980. Você pode afirmar a procedência PoMo[1] pelo que foi emprestado do edifício vizinho. Um arquiteto moderno teria desprezado tal atitude. Continuar lendo