Arquivo da categoria: Arquitetura pré-moderna

O pensamento fraco na arquitetura III

Vinheta - Copia

 

SUSTENTABILIDADE

Toda a discussão atual sobre a sustentabilidade, que envolve também a arquitetura, pode ser colocada relacionando a oposição entre o Pensamento Forte e Pensamento Fraco. O primeiro, reflexo do pensamento iluminista,  reproduz tardiamente o espírito de Francis Bacon do domínio do Homem sobre as coisas, sustentando que a Natureza deveria ser obrigada a servir-lo, e este deveria extrair dela os seus segredos. E não somente os segredos, poder-se-ia acrescentar, mas também suas fontes de energia. Assim é que a modernidade é a época dos combustíveis fósseis, do carvão e do petróleo e a arquitetura dos grandes centros urbanos, os arranha-céus de aço e vidro, grandes incorporadores e consumidores de energia, e que são vilões do pensamento sustentável.

lever-house-blog

As graves crises ocorridas nos anos 1970 colocaram em questão essa representação arquitetônica do mito do desenvolvimento. No ambiente da arquitetura, os extremistas falaram da falência da arquitetura moderna, os mais moderados em uma grave crise da qual não se sairia a não ser tomando um rumo novo. Continuar lendo

Forma estrutural II

vinheta forma estrutural II

As primeiras construções em ferro fundido e forjado

1779CoalbrookdaleBridge

Ponte sobre o rio Severn, Coalbrookedale. 1777 – 1779. Projeto de Thomas Pritchard. Execução de Abraham Darby III. Comprimento total: 60 m. Vão central: 30,5 m

Se pudéssemos determinar um dia, um único dia, como o primeiro da edilícia moderna, talvez mesmo da arquitetura moderna, este seria um dos dias possivelmente do ano de 1735, exatamente aquele em que, em Coalbrookdale, um lugarejo no centro da Inglaterra, perto de Birmingham, Abraham Darby, patriarca de uma família de industriais homônimos utilizou o carvão mineral em lugar do carvão vegetal para fundição de ferro. Com este procedimento, a qualidade do ferro aumentaria e o preço cairia. Em 1847 tal feito foi divulgado, embora desde 1940, Darby utilizaria regularmente o processo para obter o ferro gusa, de maneira industrial. Este fato mudaria a face do mundo. A partir de 1760, a produção de ferro pelo novo método aumenta expressivamente, e passa então a ser usado primeiramente na construção de ferrovias e pontes, e no início do século XIX, também na construção civil e na arquitetura. Continuar lendo

Pavilhão Mourisco

Pavilhão Mourisco

Silvio Colin

mourisco 2

Carlos Drummond de Andrade, dizia que de tudo fica um pouco. “Sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes e sob tu mesmo e sob teus pés já duros e sob os gonzos da família e da classe, fica sempre um pouco de tudo. Às vezes um botão. Às vezes um rato.[1] É o que acontece com as cidades, e suas camadas sobrepostas de cultura. Isso apesar de não termos como hábito cultuar a memória. De tudo fica um pouco graças a alguns agentes da memória.

Continuar lendo

A poética do Art-Nouveau na arquitetura

Silvio Colin

Na Alemanha chamou-se Jugendstil. Na Inglaterra chamou-se Liberty Style, devido a uma loja de objetos de arte. Na Itália chamou-se Stile Liberty. O nome Art Noveau advém da Maison de l’Art Nouveau, loja de móveis, tapeçaria e objetos de arte do colecionador e comerciante Samuel Bing. Importantes arquitetos do final do século XIX e início do século XX, como Hector Guimard, Victor Horta, August Endell, Joseph Hoffmann entre outros, aderiram ao estilo e o divulgaram com sua obra.

Continuar lendo

Vivenda Elizabeth, de Pires e Santos

Silvio Colin

Revista Arquitetura e Urbanismo, jan/fev. 1927, p. 5 e seg.


Publico sempre neste blog alguns projetos de casas dos anos 1920 e 1930, anteriores à entronização do Movimento Moderno entre os arquitetos. Sem negar os grandes avanços, acho que muita coisa foi perdida na passagem da arquitetura prémoderna para o Momo. E penso que é sempre um bom exercício para os estudantes a análise desses projetos antigos. Continuar lendo

A arquitetura na Semana de Arte Moderna de 1922

Silvio Colin

Imagem 123nonstop.com

É fato aceito pela crítica especializada que a Semana de Arte Moderna, ocorrida em São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922, teve pouca influência no desenvolvimento de nossa arquitetura. “Os arquitetos que dela participaram não tinham o mínimo conhecimento do que se fazia de moderno pelo mundo… [1] O evento contou com a participação de dois arquitetos, o espanhol Antonio Garcia Moya e o polonês Georg Przyrembel. Continuar lendo

Sajous

Silvio Colin

Henri Paul Pierre Sajous (1897-1975) foi um arquiteto francês a quem o Rio de Janeiro deve alguns de seus mais belos edifícios. Viveu nesta cidade entre 1930 e 1944. Veio ao Brasil a convite do  Comendador Francisco de Souza Costa para projetar as Termas de São Lourenço, no Parque das Águas desta cidade, que foi inaugurado em 1935, com a presença do Presidente Getúlio Vargas. Também de sua autoria, no mesmo sítio, é o Pavilhão da Fonte Vichy, um primor.

Balneário de São Lourenço. 1935. Continuar lendo