Arquivo da categoria: Arquitetura século XIX

Os MoXXI

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Estão baixando na paisagem do Rio de Janeiro estranhos objetos que podem, por quem não conhece o assunto, ser chamados de objetos arquitetônicos. Na verdade, à distância, se parecem com estes. Porém uma visão mais atenta nos fará compreender que nada do que se ensina (ou ensinava) nas faculdades de arquitetura é necessário para a construção destes objetos. As decisões sobre suas características, imagem, dimensões, materiais, cores, não são tomadas por critérios arquitetônicos, mas por critérios pragmáticos e clichês midiáticos e comerciais, frequentemente, de mau gosto e agressivos.

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Centro Empresarial Senado. Rio de Janeiro. 2013

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Forma estrutural II

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As primeiras construções em ferro fundido e forjado

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Ponte sobre o rio Severn, Coalbrookedale. 1777 – 1779. Projeto de Thomas Pritchard. Execução de Abraham Darby III. Comprimento total: 60 m. Vão central: 30,5 m

Se pudéssemos determinar um dia, um único dia, como o primeiro da edilícia moderna, talvez mesmo da arquitetura moderna, este seria um dos dias possivelmente do ano de 1735, exatamente aquele em que, em Coalbrookdale, um lugarejo no centro da Inglaterra, perto de Birmingham, Abraham Darby, patriarca de uma família de industriais homônimos utilizou o carvão mineral em lugar do carvão vegetal para fundição de ferro. Com este procedimento, a qualidade do ferro aumentaria e o preço cairia. Em 1847 tal feito foi divulgado, embora desde 1940, Darby utilizaria regularmente o processo para obter o ferro gusa, de maneira industrial. Este fato mudaria a face do mundo. A partir de 1760, a produção de ferro pelo novo método aumenta expressivamente, e passa então a ser usado primeiramente na construção de ferrovias e pontes, e no início do século XIX, também na construção civil e na arquitetura. Continuar lendo

A poética do Art-Nouveau na arquitetura

Silvio Colin

Na Alemanha chamou-se Jugendstil. Na Inglaterra chamou-se Liberty Style, devido a uma loja de objetos de arte. Na Itália chamou-se Stile Liberty. O nome Art Noveau advém da Maison de l’Art Nouveau, loja de móveis, tapeçaria e objetos de arte do colecionador e comerciante Samuel Bing. Importantes arquitetos do final do século XIX e início do século XX, como Hector Guimard, Victor Horta, August Endell, Joseph Hoffmann entre outros, aderiram ao estilo e o divulgaram com sua obra.

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A corrente de cristal

Vinheta

A Corrente de Cristal, em alemão “Die Glaserne Kette”, foi o nome com que se designou um conjunto de cartas utópicas trocadas entre um seleto grupo de arquitetos, liderado por Bruno Taut  entre 1919 e 1920, enaltecendo as virtudes do vidro, visto como material do futuro. Estes arquitetos, motivados pelo vazio ideológico existente então na Alemanha pós-guerra, buscavam alternativas estéticas e práticas para a arquitetura, rejeitando o materialismo e positivismo que caracterizavam o sistema político derrotado juntamente com o kaiser Guilherme II. Essas cartas descreviam visões de uma sociedade ideal e uma arquitetura fantástica por meio de textos e desenhos.

Cristal sobre uma esfera. Projeto para um edifício religioso. Desenho de Wassili Luckhardt. Imagem PEHNT, p. 37, com intervenção. Continuar lendo

O movimento City Beautiful

Silvio Colin

O movimento City Beautiful nasceu nas décadas de 1890 e 1900 pretendia reformar a arquitetura e o urbanismo americanos tendo como premissas o embelezamento e a grandeza monumental das cidades. O movimento não procurava a beleza por si mesma, mas sim para o bem comum, para criar virtude moral e cívica das populações urbanas. Seus defensores acreditavam que tal embelezamento poderia, assim, promover uma ordem social harmoniosa, que aumentaria a qualidade de vida.

Washington Mall. Imagem <blog.travelmate.co.kr> Continuar lendo

Follies

Silvio Colin

No âmbito da arquitetura uma folly (em inglês  loucura, tolice), como a própria palavra adverte, é um edifício curioso, extravagante, bizarro, frívolo ou irreal, geralmente um ponto de atração em um parque, jardim ou propriedade rural. Não é um edifício desprovido de utilização prática. Pode ser um pavilhão, um gazebo, um ponto de referência, até mesmo uma residência. Porém são considerados mais por sua expressão artística, simbólica ou curiosidade.

Castelo no Hagley Park. Arquiteto Sanderson Miller. 1747. Imagem <www.en.utexas.edu>

A história das follies remonta aos meados do século XVIII, quando os aristocratas europeus do continente, nomeadamente França, Alemanha, Bélgica etc. e da Inglaterra e Escócia encontravam em suas propriedades marcas das civilizações antigas que haviam abrigado, e restos de séculos de guerras. Construções em ruínas passavam a ser a atração principal de uma propriedade aristocrática ou burguesa rural.  Quando estas ruínas não eram encontradas, eram simplesmente construídas, em uma prática de frivolidade típicas destas classes sociais. Continuar lendo

Ecletismo IV

Silvio Colin

O Ecletismo chegou ao Brasil da mesma maneira que o Neoclassicismo, como influência cultural direta das poéticas européias. A diferença, é que aqui não havia ainda um processo autóctone de industrialização, sendo os materiais e técnicas, em sua grande maioria, importados, assim como também eram importados os processos culturais. Podemos ainda dizer que a passagem do Neoclassicismo para o Ecletismo é um processo gradual, gerado no interior da “Academia”. Até os anos 1870, ainda podemos ver edifícios rigorosamente neoclássicos. A partir daí, o ecletismo vai aparecer, de maneira quase absoluta, até os anos 1930, deixando pouco espaço para outras manifestações como o Art Nouveau, o Neocolonial e as poéticas pré-modernas do Classicismo Tardio e do Art Déco.

Palácio Tiradentes – Rio de Janeiro. Neobarroco francês.
Projeto: Memória & Cuchet, 1921. Imagem <mishappa.image.pbase.com> Continuar lendo