Arquivo da categoria: Desconstrutivismo

O Pensamento Fraco em Arquitetura II

Vinheta PF 2

MONUMENTO

A posição antimonumento do Movimento Moderno justificava-se por ser o monumento uma prática da arquitetura do passado, tanto imediato como remoto, uma prática vitoriana que urgia substituir. Além disso, próprio nome “moderno” já traz, em si, o sentido do último, do mais recente, ao qual nada sucederia. Havia um sentimento de que era necessário romper com o passado. Os argumentos eram políticos, estilísticos, econômicos e retóricos.

Toda a arquitetura da modernidade, anterior ao século XX, fora construída sob o signo da ordem aristocrática ou burguesa, para exercer ou manifestar o seu poder. A arquitetura monumental não apenas representava este estado de coisas, como ajudava a mantê-lo. Os estilos, “qual plumas na cabeça de uma mulher” [1], no dizer de Le Corbusier, não tinha mais razão de ser. Por outro lado, a crescente urbanização trouxe para a arquitetura o tema da economia, não somente de recursos, mas também de “energia” psíquica, como diria Adolf Loos, de espaço, de formas. Le Corbusier argumentava que “Não temos mais dinheiro para construir monumentos históricos” [2]

Monumento a Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.Cor Mies . Berlim, 1926. Continuar lendo

Desconstrutivismo

O FAZER DESCONSTRUTIVISTA

Silvio Colin

Trecho de ensaio publicado na revista AU, nº. 181. Abril de 2009. P. 84-9.

Reedição. Publicado neste Blog em 11/06/2010 com o título Para entender o Desconstrutivismo

Museum Guggenheim Bilbao. Imagem http://www.nbnnews.com

O pensamento do arquiteto tem sido formado por algumas estruturas das quais não se liberta a não ser mediante um grande esforço de “leitura atenta”, de trabalho desconstrutivo. E este trabalho se insere no mesmo projeto de desconstrução das tradições da cultura ocidental e partilha os mesmos interesses. O alvo primeiro da Desconstrução é o chamado logocentrismo, i. e. o privilégio dado à lógica e à razão, sobre outras formas de apreensão da realidade e busca da verdade. Interessa-nos no momento esclarecer este  tipo particular de logocentrismo, próprio da arquitetura:  conceitos estruturantes particulares do trabalho dos arquitetos, que cumprem a mesma função dos conceitos estruturantes do pensamento ocidental na literatura e filosofia e que são objetos da desconstrução dos escritores e filósofos pós estruturalistas, não mais nos textos, mas na elaboração de projetos (forma de “escritura” própria do arquiteto). Continuar lendo

Elementarismos II

Silvio Colin


No ano de 1913, cerca de quatro anos antes da fundação da revista De Stijl, a aproximadamente dois mil quilômetros de distância, um  outro movimento estava sendo gerado na mente de um dos maiores artistas criadores do século XX, Kazimir Malevich. Em 1915 este pintor expõe o seu “Quadrado Negro“, uma pequena tela quadrada de 80 centímetros, “o quadro mais puro e radical jamais visto”[1], resultado de  uma busca intensa de “libertar a arte do lastro do mundo representacional”[2]. Dizia Malevich que o que importava era o sentimento e que o fenômeno do mundo objetivo não tinha nenhum significado.  Ao modo de representação por ele criado, que expressava a supremacia do puro sentimento sobre as formas do mundo objetivo, chamou Suprematismo. Continuar lendo

A entrevista de Frank O. Gehry

Não. O nosso blog não entrevistou o Frank Gehry. Mas lemos a entrevista publicada em O Globo, no dia 11, no caderno Prosa & Verso, e achamos de grande relevância algumas coisas ditas por êle. Abaixo estão os destaques por nós selecionados.

Sobre propostas para projetar no Brasil

[…] Elas [as propostas] não foram sérias. Queriam que fizesse o mesmo que fiz em Bilbao. Falei para virem aqui conversar comigo, não vieram. Não lembro exatamente quem eram.[…] Eu fui com o (Thomas) Krens (diretor da Fundação Solomon R. Guggenheim), quando ele ia fazer um museu no Rio, e eu ajudei a escolher o local. Selecionei o local para o museu e eles depois contrataram o (Jean) Nouvel. Mas o Nouvel é um amigo, então está tudo bem. Continuar lendo

Arquitetura desconstrutivista II

Mark Wigley

Do livro Deconstructivist Architecture. Nova Iorque: The Museum of Modern Art, 1988.

Tradução e edição de Silvio Colin

Cada um dos projetos nesta exposição explora a relação entre a instabilidade da primeira vanguarda Rússia e estabilidade do tardo-moderno. Cada projeto
usa a estética tardo-moderna  fundindo-a entretanto com a geometria radical da obra pré-revolucionária. Aplicam uma demão de frio verniz do Estilo Internacional sobre as formas ansiosamente conflitivas da arte de vanguarda. Ai se localiza a tensão daquelas primeiras obras sob a
pele da arquitetura moderna, que irritam a modernidade por de dentro da sua própria genealogia distorcida.



Instalação do escritório de advocacia Schuppich, Sporn, Winisschofer. Viena, 1983-7. Coop Himmelblau. Imagem <www. coophimmelblau.at> Continuar lendo

Arquitetura Desconstrutivista III

Mark Wigley

Do livro Deconstructivist Architecture. Nova Iorque: The Museum of Modern Art, 1988.

Tradução e edição de Silvio Colin

(Continuação)

Embora a arquitetura desconstrutivista ameace essa propriedade fundamental dos objetos arquitetônicos, não constitui uma vanguarda. Não é uma retórica do novo. Melhor dizer que que expõe o estranho escondido no tradicional. É um choque do antigo. Tira proveito da debilidade da tradição para altera-la, em vez de superá-la. Como a vanguarda Moderna, pretende ser inquietante, alienante.

City Edge. Berlim, 1987. Daniel Libeskind Continuar lendo