Arquivo da tag: Arquitetura Século XIX

Os MoXXI

,Vinheta

Estão baixando na paisagem do Rio de Janeiro estranhos objetos que podem, por quem não conhece o assunto, ser chamados de objetos arquitetônicos. Na verdade, à distância, se parecem com estes. Porém uma visão mais atenta nos fará compreender que nada do que se ensina (ou ensinava) nas faculdades de arquitetura é necessário para a construção destes objetos. As decisões sobre suas características, imagem, dimensões, materiais, cores, não são tomadas por critérios arquitetônicos, mas por critérios pragmáticos e clichês midiáticos e comerciais, frequentemente, de mau gosto e agressivos.

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Centro Empresarial Senado. Rio de Janeiro. 2013

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Follies

Silvio Colin

No âmbito da arquitetura uma folly (em inglês  loucura, tolice), como a própria palavra adverte, é um edifício curioso, extravagante, bizarro, frívolo ou irreal, geralmente um ponto de atração em um parque, jardim ou propriedade rural. Não é um edifício desprovido de utilização prática. Pode ser um pavilhão, um gazebo, um ponto de referência, até mesmo uma residência. Porém são considerados mais por sua expressão artística, simbólica ou curiosidade.

Castelo no Hagley Park. Arquiteto Sanderson Miller. 1747. Imagem <www.en.utexas.edu>

A história das follies remonta aos meados do século XVIII, quando os aristocratas europeus do continente, nomeadamente França, Alemanha, Bélgica etc. e da Inglaterra e Escócia encontravam em suas propriedades marcas das civilizações antigas que haviam abrigado, e restos de séculos de guerras. Construções em ruínas passavam a ser a atração principal de uma propriedade aristocrática ou burguesa rural.  Quando estas ruínas não eram encontradas, eram simplesmente construídas, em uma prática de frivolidade típicas destas classes sociais. Continuar lendo

Ecletismo na arquitetura II

 

Silvio Colin

Para o bom entendimento da arquitetura eclética cumpre distingui-la dos revivalismos da primeira metade do século XIX: a chamada “Batalha dos Estilos”. Esses revivalismos eram lastreados por uma posição teórica, tão firme quanto possível, na época, e em muito diferente das posições do Ecletismo.

O revivalismo é uma prática arquitetônica que consiste no uso de formas, figuras e soluções técnicas de uma determinada época do passado, admiradas por sua excelência, para solução de um problema presente. O primeiro revivalismo desse momento histórico foi o Neoclassicismo, motivado pelo Iluminismo, pela cultura acadêmica dos enciclopedistas, e pela Arqueologia científica. Aspirava à substituição da linguagem barroca tardia, então desgastada e repudiada, juntamente com a aristocracia e o clero “de direito divino”, que estavam sendo derrotados pelas forças burguesas e pequeno-burguesas.

Neoclassicismo: Petit Trianon, Versailles, 1762-68. Jacques-Ange Gabriel.
Imagem: http://www.tam.itesm.mx
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Ecletismo na arquitetura III

Silvio Colin

Os códigos estilísticos, ou tipologia estilística, não são um fato novo na Arquitetura ocidental. Vitrúvio já os mencionava, ao dizer que a ordem dórica deveria exibir “as proporções, força e beleza do corpo do homem”; a ordem jônica manifestava “a esbeltez da mulher”; a ordem coríntia “admitia efeitos mais belos”, inspirando-se “nos contornos e membros de uma donzela” [1]. Nesta linha, Serlio [2] interpretava o mestre com cores católicas sugerindo a ordem dórica para “Jesus Cristo, São Pedro, São Paulo e santos mais viris”; a ordem jônica para Nossa Senhora, santas matronas e santos mais “doces”; a ordem coríntia para “santas donzelas”. No século XIX, os códigos estilísticos foram ampliados, não somente no sentido vertical, incluindo o Egito e as arquiteturas medievais, como também horizontalmente, incluindo as arquiteturas exóticas da Índia, China, Japão, Islã etc. É a partir desta inclusão que passamos a falar de ‘Ecletismo’. Continuar lendo