Arquivo da tag: Arquitetura Século XX

O Pensamento Fraco na Arquitetura

Vinheta

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Podemos caracterizar a arquitetura das últimas décadas, sobretudo a partir dos anos 1960,  época em que o Movimento Moderno em arquitetura foi atingido por diversos cismas, até os dias de hoje, já na segunda década do Século XXI, por uma conhecida oposição tirada da filosofia, entre pensamento forte e pensamento fraco. Não se trata de atribuir  uma relação de valor, qualificando positivamente o que é forte e negativamente o que é fraco ou vice-versa. Na verdade esta caracterização pretende diferenciar a arquitetura feita exclusivamente, ou predominantemente, por critérios do pensamento racional, a razão forte, uma tradição da arquitetura dita Moderna, daquela em que este determinismo racional é enfraquecido por outras relações, presentes na experiência ou no julgamento do arquiteto.

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Grandes exemplos do pensamento forte na arquitetura nos vem da Bauhaus, de Le Corbusier ou dos Neoplasticistas. A Ideal Stadt de Ludwig Hilberseimer, ou sua a Hochhausstadt, o Plan Voisin de Le Corbusier, e mesmo a Carta de Atenas, são grandes produtos ou diretrizes arquitetônicas de uma época de plena confiança na razão. Continuar lendo

O pensamento fraco na arquitetura III

Vinheta - Copia

 

SUSTENTABILIDADE

Toda a discussão atual sobre a sustentabilidade, que envolve também a arquitetura, pode ser colocada relacionando a oposição entre o Pensamento Forte e Pensamento Fraco. O primeiro, reflexo do pensamento iluminista,  reproduz tardiamente o espírito de Francis Bacon do domínio do Homem sobre as coisas, sustentando que a Natureza deveria ser obrigada a servir-lo, e este deveria extrair dela os seus segredos. E não somente os segredos, poder-se-ia acrescentar, mas também suas fontes de energia. Assim é que a modernidade é a época dos combustíveis fósseis, do carvão e do petróleo e a arquitetura dos grandes centros urbanos, os arranha-céus de aço e vidro, grandes incorporadores e consumidores de energia, e que são vilões do pensamento sustentável.

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As graves crises ocorridas nos anos 1970 colocaram em questão essa representação arquitetônica do mito do desenvolvimento. No ambiente da arquitetura, os extremistas falaram da falência da arquitetura moderna, os mais moderados em uma grave crise da qual não se sairia a não ser tomando um rumo novo. Continuar lendo

Croissant de Ipanema

Vinheta Croissant

A Associação de Moradores de Ipanema pediu há uns três anos, e o governador do Estado do Rio vai atender, segundo a publicação em um Jornal carioca, o fim de uma cobertura de acesso ao Metrô situada na Praça General Osório, em Ipanema. A construção é chamada pejorativamente de “croissant”, e qualificada de “horrorosa” e “trambolho”, pela coluna de Ancelmo Gois de “O Globo”. Segundo a coluna, a estrutura será substituída por outra “que parece se integrar melhor à paisagem da praça.”

Croissant de Ipanema - Cópia

Entrada do Metrô da Praça General Osório. O “Croissant”.

Nova entrada do metro

Futura entrada do Metrô da Praça General Osório.

O fato é expressivo por diversos aspectos que, juntos, atestam para a indigência de nossa critica arquitetônica e também para mau uso que fazem desta os jornalistas, certamente despreparados para tal função, mas que ocupam um espaço deixado vago por nossos profissionais. Continuar lendo

Arquitetura e crise de energia

ARQUITETURA E CRISE DE ENERGIA

  Paolo Portoghesi [1]

Do livro “Dopo l’architettura moderna”. Roma: Laterza, 1980. Tradução brasileira “Depois da arquitetura moderna” São paulo: Martins Fontes, 2002. [2]

Escrito no final dos anos 1970, este texto, um clássico da crítica arquitetônica, mostra ainda uma extrema atualidade.


O sistema industrial moderno, essa máquina gigantesca que unifica as sociedades mais desenvolvidas, a despeito das suas diferenças políticas e institucionais, e projeta a sombra da alienação tanto sobre o mundo capitalista quanto sobre o socialismo “real”, construiu seu império sobre alicerces de barro, que o passar do tempo enfim revelou. Este sistema apoiou-se numa ideia de natureza como uma entidade infinita, da qual se poderia extrair indefinidamente a energia necessária para alimentar o moto-contínuo da produção. Quando percebemos que o sistema industrial não deve prestar contas somente de seu capital artificial, mas também de um segundo capital, este não recuperável ­­– a natureza, o grande mito do desenvolvimento infinito caiu por terra, dando lugar, porém, a outro mito igualmente improdutivo: o da crise sem saída. Depois de explorar por tanto tempo o capital da natureza, de saquear a terra como a uma cidade conquistada, o sistema prefere hoje lamentar-se diante da perspectiva inelutável do “fim da civilização” a reexaminar o problema buscando uma “nova aliança” com a natureza, um novo equilíbrio.

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Lever House.Nova Iorque, 1951-2. Arquiteto Gordon Bunshaft. De Skidmore, Owins e Merrill (SOM)

O arranha-céu de vidro, inventado nos anos 50 e ainda hoje considerado modelo insuperável para edifícios de escritórios, é também um exemplo de irracionalidade dificilmente superável. Continuar lendo

A poética da arquitetura de interesse social

Este texto aborda a questão da poética arquitetônica nos conjuntos habitacionais de interesse social. Embora muitas vezes seja relegada a segundo plano, outras vezes até mesmo excluída das preocupações dos projetistas para este tipo de arquitetura, existirá sempre um grande campo de possibilidades, no plano estético, de escolha da configuração final de um edifício, apesar de grandes restrições de toda ordem, sejam estas técnicas, funcionais ou econômicas. Isto apesar de certa crença em contrário, que muitas vezes até coloca em oposição as preocupações estéticas com aquelas de ordem social, rotulando as primeiras de alienadas, elitistas, escapistas etc. e apesar também de a doutrina funcionalista do Movimento Moderno estabelecer os feitos poéticos como secundários em relação às soluções funcionais.

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Arquitetura Pós-milagre

O período compreendido entre Decreto de Anistia, de 1979, e os últimos anos do século XX, no Brasil, chamamos livremente de Abertura Política, ou simplesmente Período da Abertura, pois era termo vigente a expressão “Abertura Total e Irrestrita” para fazer referencia à mudanças políticas então ocorridas como a volta das Eleições para Presidentee Governadores, o pluripartidarismo, a anistia aos cidadão que tiveram seus direitos cassados e a volta dos exilados políticos. As manifestações culturais ocorridas então têm características muito próprias, em parte diferentes do período anterior, o que nos autoriza a falar de uma Arquitetura da Abertura, ou de uma Arquitetura Pós-Milagre Brasileiro. É este painel de atitudes ligadas à arquitetura que nos interessa neste artigo. Continuar lendo

O Estilo Internacional-I

A expressão Estilo Internacional, apesar de muitas vezes ser confundida com Arquitetura Moderna, refere-se, stricto sensu, à arquitetura  racionalista-funcionalista produzida sobretudo dos anos 1930 a  1950 no mundo ocidental, correspondente ao pleno desenvolvimento dos princípios defendidos pelas vanguardas modernistas européias dos anos 20, a partir de modificações introduzidas nos Estados Unidos. Pode ser também chamado Alto Modernismo. A expressão Arquitetura Moderna é bem mais amplo, referindo-se também às vanguardas européias dos anos 1920, que lhe é anterior, e também a manifestações posteriores, como as Megaestruturas, Novo Brutalismo e outros movimentos. Continuar lendo