A madeira em tempos de sustentabilidade-IV

A madeira em tempos de sustentabilidade-IV

Silvio Colin

Quando  o  tema  da  sustentabilidade  entrou  na  pauta dos arquitetos mais conscientes, a utilização da madeira na arquitetura passou a ser encarada com certa desconfiança. Afinal de contas, poderíamos estar indiretamente contribuindo para o desmatamento de nossas reservas, indo enfim de encontro às agendas progressistas relacionadas com o nosso ecossistema.

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Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou. Nova caledônia. 1991-98. Arquiteto Renzo Piano.

Uma das mais inspiradas utilizações da madeira na grande arquitetura. Continue lendo

Híbrido Conectado

Híbrido Conectado

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Pequim, 2003-9. Arquiteto Steven Holl

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A ideia não é nova. Ao contrário, vem com algumas décadas de uma história responsável pelos maiores fracassos do Movimento Moderno, mas vem revigorada. O Híbrido Conectado é uma mega-estrutura, no melhor modelo dos brutalistas dos anos 1960 e 1970. Naquela época falhou e viu seus grandes edifícios, muitos deles premiados pelos associações de arquitetos, como é o caso do Conjunto Pruit-Igoe, em Saint-Louis[1], ou consagrados pela crítica, como é o caso do Robin Hood Gardens, de Alison e Peter Smithson[2], ambos condenados, o primeiro implodido em 1972. Continue lendo

Pavilhão Mourisco

Pavilhão Mourisco

Silvio Colin

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Carlos Drummond de Andrade, dizia que de tudo fica um pouco. “Sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes e sob tu mesmo e sob teus pés já duros e sob os gonzos da família e da classe, fica sempre um pouco de tudo. Às vezes um botão. Às vezes um rato.[1] É o que acontece com as cidades, e suas camadas sobrepostas de cultura. Isso apesar de não termos como hábito cultuar a memória. De tudo fica um pouco graças a alguns agentes da memória.

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Arquitetura do Milagre Brasileiro

“Milagre Brasileiro” é o nome aplicado , não sem certa ironia, ao período de expansão econômica acelerada, com taxas de crescimento acima de 10%, durante os governos militares, de 1964 a 1985. Esta expansão era artificial, baseada em empréstimos externos, gerando uma crescente inflação que chegou a níveis insuportáveis no final dos anos 1980. Corresponde a um período de governo autoritário e ufanista, criador de lemas como “Ninguém segura este país” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Este momento da História do Brasil produziu uma arquitetura bem específica, da qual pretendemos falar. impossível tarefa, entretanto, sem compreendermos primeiro este momento único da cultura mundial e seus reflexos na cultura brasileira, nas artes literatura cinema etc. Mergulhemos então, primeiramente neste contexto. Continue lendo

Arquitetura do Século 21-I

10 MUSEUS DO SÉCULO XXI

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MUSEU DE ARTE DE GRAZ 

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Graz, Austria. 2003. Arquitetos Peter Cook e Colin Fournier

Área bruta 13 000 m2

Trinta anos depois do fechamento da revista Archigram, um de seus editores, Peter Cook, juntamente com Colin Fournier, dão vida a um edifício que em muito lembra as fantasias do antigo grupo. O “simpático alienígena”, como foi apelidado pelos austríacos, a nova estrutura biomórfica entre os telhados tradicionais tenta estabelecer um diálogo produtivo entre tradição e vanguarda. Segundo os arquitetos a proposta é que o edifício seja uma ponte onde passado e futuro se encontram. Qual uma bolha de ar, a pele azulada cintilante do museu flutua acima do seu piso térreo com paredes de vidro. Abrangendo até 60 metros de largura, a construção biomorfica envolve duas salas de exposição, sem grandes suporte adicional.

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Casas de Steven Holl

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Silvio Colin

Steven Holl é dos poucos arquitetos da atualidade que eleva suas obras à categoria de arte, descartando qualquer solução simplista ou espontânea. È uma obra ampla e multifacetada, resistente a qualquer simplificação. Tomamos aqui contato com esta através de algumas casas, o que, se significa muito pouco em relação aos seus edifícios de maior porte, nos mostra uma constante, o sentimento de que estamos sempre diante de algo arrebatador e imprevisível. Sua arquitetura é uma viagem de ida e volta do abstrato para o concreto,  sendo o segundo termo representado pela memória do lugar, pelas condições materiais, pela estrutura, pelo programa, e o primeiro termo pelas idéias que se constituem o ponto de ataque ao projeto, algumas delas completamente alheias ao determinismo funcional, e pela metodologia, resistente a qualquer redução simplista.

Casa da Embaixada da Suiça.Washington D.C., 2001-2006.

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O Estilo Internacional-I

A expressão Estilo Internacional, apesar de muitas vezes ser confundida com Arquitetura Moderna, refere-se, stricto sensu, à arquitetura  racionalista-funcionalista produzida sobretudo dos anos 1930 a  1950 no mundo ocidental, correspondente ao pleno desenvolvimento dos princípios defendidos pelas vanguardas modernistas européias dos anos 20, a partir de modificações introduzidas nos Estados Unidos. Pode ser também chamado Alto Modernismo. A expressão Arquitetura Moderna é bem mais amplo, referindo-se também às vanguardas européias dos anos 1920, que lhe é anterior, e também a manifestações posteriores, como as Megaestruturas, Novo Brutalismo e outros movimentos. Continue lendo

Estilo Internacional-II

Christian F. Otto 1 

Tradução de Sílvio Colin

Desenvolvimento do ESTILO INTERNACIONAL –

A crise econômica dos anos 30 não impediu que por todo o território dos Estados Unidos se construíssem edifícios com estas diretrizes estilísticas, seja por arquitetos que já as haviam assumido, como Neutra, Howe e Lescaze, seja por outros novos praticantes que a eles se uniram. Durante a década ocorreram mudanças substanciais no campo do projeto: a arquitetura tradicional começou a interessar-se pela espontaneidade no uso dos materiais, pela sensibilidade com que se acomodavam os edifícios ao terreno e pelas condições climáticas do lugar. Começou-se a analisar o que havia dado de si cinqüenta anos de arquitetura californiana de madeira de secoia e as repercussões do clima nas soluções de projeto, as características dos materiais, a madeira laminada e o contraplacado, o plástico e o metal, atraíram a atenção dos profissionais. Olhou-se para a pre-fabricação como meio de “aumentar a economia”. Continue lendo

Morfologia da igreja barroca no Brasil – I

Silvio Colin
 

MORFOLOGIA ESPACIAL

A BASÍLICA

Muito se diz que a Igreja Católica deve sua rápida expansão à infra estrutura que herdou do Império Romano. Isto é verdadeiro também quando se fala da forma das igrejas. Uma das formas de edifício principais utilizadas na Idade Média para o culto cristão era a basílica, um edifício que, em sua origem nada tinha a ver com o culto.  Tratava-se de um edifício de múltiplos usos, de caráter representativo, servindo como mercado, edifício bancário e bolsa, sala de justiça e simples ponto de encontro[1].

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Concursos marcantes do século XX

Silvio Colin

Nossa intenção, neste texto, é nos debruçarmos sobre os grandes concursos internacionais de idéias de arquitetura do século XX e explicarmos algumas de nossas considerações sobre estes. Na verdade, os arquitetos prezam, não sem razão, a premiação em um concurso. É um galhardão. Algo assim como ganhar um Oscar. Entretanto, na maioria das vezes, os resultados dos concursos tem um caráter conservador, ou mesmo reacionário, e muitas vezes são um entrave para as idéias novas. No século XX houve honrosas exceções, dentre as quais talvez a mais importante tenha sido o concurso do Centro Pompidou, que deu ao mundo os primeiros vagidos da arquitetura high-tech, mas na maioria dos concursos importantes, prevaleceu o conservadorismo. Falaremos de três concursos, marcos do Movimento Moderno, pela consideração e estudo das propostas descartadas de grandes mestres como Walter Gropius, Le Corbusier, Hannes Meyer, Eric Mendelsohn, Moisei Ginsburg entre outros: o concurso do Chicago Tribune, o Palácio dos Sovietes e a Liga das Nações. Continue lendo